ÊXTASE

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Olhos nos olhos.

Toques suaves, leves como plumas,

deitada nua, me aproximo suave.

Toques sutis, exploro-a toda.

O prazer sem limites, é um conjunto de coisas.

Seu sexo úmido, tem história e escolhas.

O êxtase intenso, seu Deus perdoa.

O prazer é divino, aguça os sentidos,

desperta o criativo e a percepção sobre as coisas.

Respira e sinta.

Entregue-se e reflita.

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ERO-RÍTMICO.

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Deixo-a excitada pra mim,

molhada e tensa, no auge de sua extrema beleza,

suavemente te inclino, beijando suas costas,

submissa pra mim, te digo assim:

“vem, vem bem puta pra mim!”

penetrando devagar, seu gemido por um estante,

me tira o ar,

parece uma virgem de tão sensível,

sua penugem ensopada me convida a explorá-la.

dedilho com dedicação,

como uma harpa sagrada.

A sinfonia são seus gemidos,

numa batida perfeita,

deixo-a criar seu próprio ritmo,

sou um mero espectador da sua lascívia.

Lascívia que contagia e ilumina.

Irradia meu dia,

aquece minhas tardes ,

e encendeia as minhas noites.

BALADA DA DONA MORTE

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“Vago,

Divago,

Devagar chego longe,

Nos pensamentos mais sombrios,

Nos medos que o cercam,

No frio do inverno que chega.

Apenas observo.

Calculo passo a passo,

a hora de chegar,

Sou aquela que todos querem, que esperam quando sofrem,

mas quando chega, arrepios causa.

Sou fria, porém justa.

Não conteste minha figura.

Que seu descanso seja eterno.

Pois a morte, no fim  é a cura. ”

 

Ilustração by Javier Gonzales Pacheco

 

MEMÓRIAS DE UM SÁDICO

Andando-Nas-Sombras

Depois daquela noite nunca mais fui o mesmo. O feitiço virou-se contra o feiticeiro. E você, que achava ser detentora da magia, provou do seu próprio veneno. Sabia tudo ao seu respeito. Me fiz de amigo fiel, confidente. Carinhoso, ouvinte, sabia o que te deixava insegura. Apenas para concretizar minha vingança, fui tudo que gostaria que eu fosse. Depois de uma sessão de cinema, a levei para casa. Bebemos um vinho, e ao som de um Blues melancólico tudo aconteceu. Peguei-a pelo pescoço e a apertei. As lágrimas rolavam pelos olhos deixando sua visão turva. A saliva misturada com sangue manchou minha roupa. Lamentei e esbravejei por isso : ” – Maldita! “. Lamentei também o fato de você não ter ido embora. Quis me manipular, ditar da sua pretensão e deu nisso. Sou frio e calculista. Sei disso. E se você, que está a ler esse meu breve relato, sem pausa e  sem remorso, ousar contar a alguém, tranque bem a porta depois, pois, quando menos perceber, farei parte dos seus dias, seus pensamentos e fantasias.

2:57

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São 2:57 e meus pensamentos giram em torno de como a vida é sacana. Muitas vezes prega peças, mas sempre te ensina. Sempre pensei de forma lógica, fria, calculando meus passos, meus atos e evitando acasos. Agora estou aqui, com seu corpo nu envolto a um lençol barato. Sempre linda pra mim, dorme como um anjo, e eu como o diabo, tenho planos pra ti. Tenho que ir antes que acorde. Sumir. Mas te observar não me deixa dar de costas pra sua inocência. Inocência essa que um dia, apesar de não lembrar, sei que tive antes de ser expulso do paraíso. Chegando aqui me entreguei aos ruídos, cores e sabores do proibido, e agora, as 3:10 dessa madrugada de domingo, vejo que por debaixo desse lençol, achei um novo sentido. Tiro a calça e me enrosco a você. Você, de cabelos esparramados no rosto, busto nu se arrepia ao me receber. E a lua, gigante pela fresta da janela ilumina nós dois. O antes. O durante. O depois.

AQUELE ABRAÇO

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Finalmente decidimos nos encontrar, contendo as expectativas no ar, ao menor toque me despertou, arrepios em todo meu corpo causou.

Deixei-me levar, o toque dos seus dedos em mim, caricias que pareciam não ter fim.

Na praça do Recife antigo fui tua Marisol.

Como num poema, de melodia agradável e energia impecável, nos atamos num abraço.

Gratidão por estar ali, vimos a tarde passar e nossos segredos relembramos.

Sinceras gargalhadas damos.

E, com inegáveis lagrimas nos olhos encerramos o nosso encontro.

Com um gosto de quero mais, com gosto de pecado, mas apesar de tudo, um sincero abraço.

LABIRINTO

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Acordei com um barulho ensurdecedor que parecia querer estourar meus ouvidos,

pulei da cama, calcei meus chinelos e desci as escadas.

A sala tinha mudado de forma e se transformado num labirinto.

Vi pegadas pequenas no chão e decidi seguir.

Conforme seguia, o calor e o barulho ia aumentando,

Minhas roupas começaram a arder em meu corpo,

Fui me desfazendo delas no caminho, sem me importar com o que poderia encontrar.

Você esperava por mim. Alto e forte. Olhos negros e sobrancelhas grossas.

Escondi meu corpo com as mãos e corei de vergonha.

Ecos começaram a emanar das paredes : vergonha… vergonha …

Você se aproximou. Afastou meus braços que escondia meus seios à mostra, passou uma corda entre eles.

Não consegui reagir. Só olhava seus olhos e a linha em seus lábios esboçando um sorriso.

Você me arrastou até uma cadeira dourada, sentou-me lá.

Torturou-me com beijos e mordidas, provocando ao máximo o que queria esconder.

Gemidos, palavras de ordem que arrepiaram meu âmago, me fazendo vibrar e me contorcer.

A última coisa que lembro foi uma luz e um grande choque que levei.

Acordei no dia seguinte no meio da sala, envolvida entre cordas que não sei de onde vieram.

Nenhum sinal de arrombamento, pegadas ou cadeira dourada. Apenas marcas nos punhos e manchas roxas nas pernas.

Ao levantar-me vejo sobre o sofá um chapéu idêntico ao que você usara no último carnaval.

Impossível de estar ali, uma vez que faz mais de um ano que foi embora e levou tudo contigo,

deixando somente o gozo dos momentos felizes e

lembranças.