Archive | Agosto 2013

CURVAS

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Quero atar-me em seu corpo,

perder-me em suas curvas.

Cintura, braços e pernas,

senti-la nua.

Tocar-lhe os seios, macios e doces,

mamilos silvestres.

Minha mente está confusa.

sinto-me no mundo da lua.

O que fazer, se você não posso ter?

Minha musa e suas curvas.

Doce ninfa que me alucina,

expressa mistério e me fascina.

Minha sina me ensina,

a contentar-me com sonhos.

Sonhos esses, em que neles,

você é minha, só minha,

doce e selvagem, uma erótica paisagem.

Paisagem que desperta os mais primitivos instintos,

que me leva ao infinito.

FERIDAS

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Durante toda nossa existência proporcionamos e somos vítimas de inúmeros ferimentos.

Ao nascer causamos um ferimento em quem nos acomodou durante nove meses, as vezes menos.

Durante nossa infância, com nossa sede de aventuras ao desconhecido, nos ferimos algumas vezes. Ora na bicicleta que se desequilibra, ora no tombo ao brincar de pega-pega, ora nas mordidinhas ao colegas pra mostrar quem é que manda.

Durante a juventude, alguns se ferem por estética, outros por acidente, outros por prazer e outros até mesmo por desespero.

Existem feridas superficiais, que com o tempo cicatrizam e desaparecem. Algumas deixam marcas permanentes, cicatrizes que sempre estarão adornados em nossa pele.

Agora, a pior ferida, aquela que muitas vezes ninguém vê, nem mesmo o seu provedor, é aquela ferida alojada na alma.

Aquela que diz no seu íntimo que você não vale nada. Ferida traiçoeira, que dói quando menos esperamos. Ferida essa que sempre requer cuidados, atenção, para que não infeccione nosso corpo, e o que ainda temos de bom e saudável.

Acredito que todos carregamos feridas, pequenas ou grandes, visíveis ou invisíveis. O desafio é lidar com elas. Cuidados diários, minuciosos.

Para estancar. Para que pare de sangrar.E de adoecer. Ou apodrecer.

LOVELY PUZZLES

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A lovely smile,

a seductive gesture of taking off your clothes,

Girl, please, make me a favor: kiss me hard with intensity.

Take me now. My body, my soul.

Let me get crazy,

feel the pleasure between my legs and yours.

Let´s get completed, like puzzles pieces,

human puzzle, flesh and bone puzzle.

A true desire, a desperate desire.

A dirty game, where there is no losers, no winners.

Just equality in this game called sex.

A SOMBRA

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A sombra de uma dúvida deturpa meus pensamentos,

sombras do passado confundem minha fé.

A crença em mudanças seduz e ao mesmo tempo assusta.

Por que somos tão covardes?

Se nascemos sozinhos e morremos sozinhos,

então,

por que o medo da solidão?

Estamos de fato sozinhos?

Certas questões não tem resposta, 

assim como a incerteza  no dia de amanhã.

PEQUENA GURIA

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No camarim, a pequena aguarda ser anunciada,

a maquiagem em excesso esconde o rosto de garota assustada.

É sua estréia no mundo subversivo da strip arte.

Ela não queria estar ali, mas não tinha mais opção. Queria voltar para casa, esquecer o amor que brincara com seus sentimentos.

Sabia que conseguiria voltar. Mas não agora. Agora tinha uma missão: seduzir com a magia da dança os tolos que achavam que ela era apenas um pedaço de carne. E arrancar deles o máximo de gorjetas.

Anunciam a nova estrela. Ao embalo de ” I just don´t know what to do with myself ” ela começa a se insinuar no palco. Botas longas, lingerie vermelha e rendada e por cima uma camisa de seda que não dura muito tempo em seu corpo moreno.

A camisa de seda desliza em seu corpo revelando os seios fartos, cintura fina e coxas grossas. Sua beleza natural e  pele morena chama a atenção.

Os olhos negros visualizam a tara dos expectadores, uma pontada de constrangimento tenta tomar conta de seu ser, porém a protagonista não deixa que os velhos valores manipulem sua jogada. Os longos cachos do cabelo deslizam sobre seus ombros e costas e permitem mais charme à pequena guria, em sua estréia no palco dos desejos.

Seu caminhar é como se fosse de uma bailarina – seu sonho de criança.

A música assume batidas pesadas e ela se lança contra a barra e desliza suavemente como se fosse uma língua numa sobremesa deliciosa.

Ela sorri. Um sorriso falso mas ainda sim convincente. Seus lábios vermelhos brincam com a platéia, manipulam aqueles que se acham detentores de poder e autoridade.

A performance se encerra. A pequena diva recolhe sutilmente as gorjetas do palco e sai nua aparada apenas pela sua natureza humana.

De volta ao camarim, extrai toda a máscara que encobre seu rosto. Veste o jeans e o moletom, amarra os cabelos longos num rabo de cavalo e sai anonimamente, como se fosse mais uma jovem inocente do mundo.

Uma pequena guria, que usará as armas que tem para conseguir o que quer nesse mundo muitas vezes cruel e solitário.

A QUEDA

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Esse relato que farei chega a ser surreal, mas aconteceu comigo, um cara sem esperança no dia de amanhã.

Era fotografo, viajei há inúmeros lugares, conheci muitas mulheres, fotografei e me esbaldei com muitas delas. Velhos e bons tempos aqueles.

Mas acho que não foi tão bom, pois em todas essas andanças não consegui estabelecer um vínculo com ninguém. Fiquei solitário, mas ainda sim dono no meu próprio nariz.

O telefone toca. Interrompe aquilo que  já estava programado a muito tempo, mas que não tinha coragem.

Trim, trim, trim.

Atendo. ” Alô? ”

Ouço primeiro um chiado, depois uma voz aveludada e sexy dispara em discurso:

” Escute aqui imbecil, não adianta me chamar, clamar por mim, ou até mesmo ir as vias de fato. Sua hora não chegou.”

” Deixa de querer ser prático, assuma sua existência. Faça valer a dádiva de estar atendendo esse telefone.

Tome um banho, faça a barba e perfume-se. Ainda tem um coração aí. Pode ser que dá próxima vez não tenha uma segunda chance.”

A ligação é encerrada antes mesmo de poder perguntar quem era o orador de tal piada.

Fico pensando por um minuto em tudo que ouvi, balanço a cabeça, tomo um último trago e subo na cadeira que espera por mim, lustrosa e maciça.

Passo a corda pelo pescoço, sinto uma coceira incômoda, mas é tarde para pensar que deveria ter comprado uma corda mais macia e de melhor qualidade.

Lanço-me de encontro ao meu destino, fecho os olhos, meu ultimo piscar de olhos.

Sinto a queda. Me encontro esparramado no chão da sala, quase sufocando por causa da corda. Num desespero consigo tirá-la do pescoço.

No tapete da sala começo a dar altas gargalhadas, riu tanto que sai lágrimas de meus olhos.

Levanto-me, colho os cacos de minha dignidade e vou ao chuveiro. Tomo um banho, faço a barba, e me perfumo num ritual digno de rei.

Afinal, não é sempre que se tem uma segunda chance.

ALL THAT JAZZ

Jazz2

Faço minha apresentação semanal no Bourbon Street e entre uma música e outra me lembro de você.

Se a vida é feita de erros e acertos, por quê diabos só os erros ficam em evidência!

Merda, foi só uma noite, um deslize, estava “puto” da vida e liguei pra uma amiga, dei uns amassos, mas fui pego em flagrante.

Que cena, a cara dela ao me ver com aquela loira belzebu, cara, se pudesse dava um braço meu pra que isso não acontecesse.

O que fazer? Implorar, deixar pra lá ? Sei lá! Agora não quero saber, quero só curtir esse jazz e beber. Beber pra esquecer, me jogar em qualquer lugar e amanhã penso no que fazer.

Lembro quando a conheci, sentada com amigos, aqui mesmo no Bourbon Street, de óculos e jeans, tão discreta, mas tão sensual que quando a ví sabia que mexeria comigo. Que mudaria minha vida.

E mudou. Antes eu, um cara sem remorço, estou aqui, chorando por ti. Arrependimento, vergonha, raiva da minha fraqueza.

As horas se passam, jazz, bebida e cigarro adornam mais uma noite sem você.

Pego minha jaqueta, aceno pra um taxi e volto pra casa. Lá chegando vejo você nua, perto da janela.

Você me olha hipnoticamente, a boca vermelha entre-aberta tenta dizer algo, mas não deixo.

Agarro-lhe na cintura, me ajoelho, peço perdão, choro em desespero.

Você se abaixa, enxuga minhas lágrimas com beijos, acaricia minha pele, minha vergonha, nos amamos e eu juro meu amor e minha devoção.

Me sinto confortável, como uma criança em seus braços. Depois do amor, tomamos banho e nos deitamos juntinhos. Durmo cheirando seu perfume de mulher.

Me sinto seguro. Em paz.

O som do jazz ainda vibra em meus tímpanos e você, vibra em minha alma.