Archive | Maio 2013

ROMANCE NA TEMPESTADE

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Era uma quarta feira quando eu a conheci. Ventava e chovia muito forte nesse dia, e ela estava toda descabelada. Tão linda, usava óculos e insistentemente puxava as mechas de seus cabelos atras das orelhas, como se fosse possível resolver o emaranhado.

Ela vestia jeans e camiseta branca. – Santa camiseta!, pensei eu, pois começara a chover e a camiseta branca ficou transparente em seu corpo branco e cheio de sardas..

Ela reparou que eu a olhava, mas olhava pra baixo procurando esconder a transparência que denunciava seus seios de Lolita.

A chuva aumentara, o vento tomara proporções nunca vistas… e de repente reparo o medo estampado na face da garota sardenta.

Um choro contido emana no meio de todo o caos. Fico sem graça e pergunto.

– Moça, tudo bem?  Posso ajudar?

Ela se mantém em silêncio, mas por pouco tempo…

– Medo. Do vento. Essa tempestade… e o olhar clamando por proteção encontra os meus.

Não sei o que deu em mim. Eu a puxei junto ao meu peito e disse: 

– Tudo vai ficar bem. Eu estou aqui e vou te proteger!

Foi sincero o que disse. Não lembrava da camiseta molhada, do cabelo emaranhado, das sardas convidativas em seu rosto… só queria protege-la, cuidar como se fosse minha. Minimizar a angústia que ela sentia. 

Passou uma hora, duas…poucas palavras, mas uma vibração inexplicável nos rondava. Tem coisas que não precisam ser ditas.

Ficamos em silêncio. O choro se foi. O vento e a tempestade se foi. Porém Isabella, esse é o nome dela, ela não se foi. Continuou em meus braços. Os olhos que estavam desesperados brilhavam de uma forma diferente. 

A partir daquele momento agradeci a tempestade, o vento e toda as forças da natureza por esse encontro. Soube que algo muito especial estava para acontecer…

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MANU, LA BELLE DE JOUR

 

 

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Shine bright,

Little “Belle de Jour”,

Manu.

I´m not french,

I don´t have blue eyes or blond hair, 

I´m neither a Katherine Deneuve,

but sometimes I feel like a “Belle” from Buniel.

Is there anybody, 

To blame me?

 or judge me?

I don´t think so… We are all sinners…

First try to understand,

Who is

Buniel, Katherine and the Belle de Jour.

Try to understand me,

I´m Manu,

Just a “belle” in the “jour”.

LONELY PEOPLE

solidao12

I´m here looking at the people,

the crowd,

these lonely crowd.

Everybody looks around,

but they didn´t see their own brothers.

They´re all the same but,

they look like strangers.

No good morning or good afternoon,

just “solitude” ,

in one more Monday afternoon.

SILLY POEM IN A COLD AFTERNOON

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Ow… It´s cold today

but anyway,

what else can I say?

It´s a good opportunity to get closer to your friends,

benefits friends or lovers.

Watch movies, eat popcorn, drink tea, what else?

No one can tell…

just the sheets and nobody else.

“ILHA”

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Conheci um amigo que achava divertido flertar com as garotas quando era jovem. Até aí normal, afinal,quem não flerta?

O desagradável dessa estória toda é que, depois de conseguir chamar a atenção da garota,  ele simplesmente desfazia das meninas. O mais dolorido era quando a garota se apaixonava e ele dizia:” Ninguém pediu que se apaixonasse por mim. Você perdeu o seu tempo… mas se quiser se divertir, eu posso perder o meu tempo com você.”

Detestável não? Também acho, e sempre que podia o aconselhava a agir de forma digna e não brincar com os sentimentos das pessoas.

Eu dizia: ” Conhece John Donne, um escritor inglês?”.

Meu amigo respondia: ” O que tem ele? ”

“John Donne dizia em um de seus textos ” Nenhum homem é uma ilha, repleto por sí só”. Digo isso porque você age como se não precisasse de ninguém, nunca. Você acha que viverá bem sozinho. Tenho certeza que se arrependerá do que faz, ninguém nasceu para ser sozinho. ”

Passaram -se dez anos. Eu tive a sorte de conhecer diversos países. Fiz trabalhos voluntários com crianças carentes e foi maravilhoso. Lá conheci o meu marido. Temos tanto em comum. Um respeito e amor à vida e ao próximo. É maravilhoso e eu o amo muito.

Voltei para a cidadezinha da minha juventude, e, curiosa resolvo perguntar aos amigos e vizinhos sobre meu amigo ” Ilha “.

Foi chocante o que descobri. ” Ilha” faleceu. Sozinho, de cancêr. Foi encontrado quase quatro dias depois em seu apartamento, afinal, os vizinhos reclamaram do mau cheiro com o zelador e esse o descobriu estirado no chão.

Ninguém sabia. Nem parentes,  muito menos amigos. Ah, esquecí… ele não tinha amigos. Ele gostava de ser uma “Ilha”. Infelizmente morreu como ela, isolada, no meio do nada, no esquecimento.

CINCO SENTIDOS

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Menina, gostaria de fazer uso dos meus cinco sentidos com você:

Usar minha visão para vislumbrar cada centímetro desse corpo maravilhoso, uma obra de arte, uma Vênus contemporânea, nua, só pra mim.

A audição para ouvir sua respiração ficando intensa e ofegante a cada segundo em que invisto contra você.

Tato. Ah… imprescindível para o que pretendo fazer com você, aqui e agora. Tocá-la e faze-la sentir arrepios, dá cabeça ao pés. Beijar seus ombros de um lado ao outro, deslizar pelos seus seios em direção ao umbigo. Contemplar o seu sexo se contraindo de prazer, esperando por mim.

Usar meu olfato para sentir seu cheiro, que pra mim é único, puro. Um cheiro de menina curiosa em busca de novas descobertas.

E por fim, mas não menos importante, o paladar! Ah, menina, quero senti-la em minha boca, o gosto fresco de seu hálito em mim. E a cada investida nesse calor, sentir o gosto de suor escorrendo pelo seu corpo.

Cinco sentidos. Que delícia tê-los em mim e por fim chegar ao clímax, ao limite do que possível e impossível.

Com você e por você.

SONHO VERSUS REALIDADE

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Encontrava-me perdida quando avistei o casarão. Estava chovendo e decidi bater na porta para pedir ajuda.

Bati na porta. Uma, duas, três vezes. Nada. A chuva ficou mais forte, não tinha pra onde ir. Resolvi me abrigar na varanda da casa. Não por muito tempo pois a porta se abriu. Um convite para entrar?

Aceitei o convite. De quem ? Não sei. Avisto um corredor amedrontador. Chamo por alguém e vejo que no final do corredor há uma luz. Algo me diz que lá encontrarei todas as respostas que estava procurando a um bom tempo.

Resolvo seguir em frente, seguir a luz que me seduz. Começo a andar pelo corredor e vejo que há diversos quartos. Sinto um arrepio, parece que estou sendo observada e um misto de medo e excitação toma conta de mim.

Apresso o passo para chegar mais rápido à luz quando e de repente as portas dos quartos de abrem e começo a ser brutalmente agredida a chicotadas pelo caminho.

Corro, corro o mais rápido que posso.Vejo que misturado ao suor da corrida, meus braços e pernas sangram devido as chicotadas. Sinto desespero, choro, fraquejo e caio no chão.

Quando decido me reerguer um braço me puxa para um dos quartos.

Grito de pavor e ao virar o corpo para ver quem me puxou com tanta força, fico atônita.

Ele está vestido de branco. É forte e usa uma máscara. Os olhos negros brilham de maneira mágica. Tento me desvincilhar mas não consigo. Ele me abraça forte, me beija e perco os sentidos.

Acordo. Estou transpirando horrores. Olho de um lado para o outro procurando essa figura misteriosa. Não há ninguém, somente travesseiros e cobertores.

Estou em casa? Sim. Não passou de um pesadelo. Ou seria um sonho? Não sei dizer. Algo no fundo me diz que eu queria descobrir.