ALGUÉM.

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Nos últimos instantes,
Sufocado pelas palavras que não disse,
Morreu.
E no dia seguinte: “Expediente normal, pessoal!” – disse o patrão aos demais subordinados.

No fim, ele se libertou. Desertou da própria insignificância terrena.

E o que ele foi afinal?

Além de mais um no meio de tantos outros.

Além de alguém como eu.

Alguém como você.

Imagem: Paulo Stocker.

A DANÇA

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Suave como dança,

que percorre seu corpo,

ela graceja e me chama.

E me encanta, e me chama e acende aquela chama,

que só os amantes são capazes.

E o que fazes, e como fazes, 

me consome, me entorpece.

Adoro como fala, anda e se expressa.

Gosto de ti pelo que é,

mas gosto mais de como eu sou quando te tomo em meus braços,

e dançamos, naquela frequência que só nós,

 caros amantes sabemos.

E queremos, 

E fazemos.

DO COMEÇO AO FIM

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Era março de 2002 quando me pediu em namoro

naquele ponto de ônibus e eu surpresa, aceitei.

Jovens e apaixonados,

muitos beijos e abraços,

e meses depois, quentes amassos

na garagem às escondidas,

fui descobrindo a malícia.

Dentre muita diversão, algumas cervejas na mão,

alguns desentendimentos, mas muita paixão.

Entrou e saiu ano,

e a gente, num namoro firme, vigoramos.

Vi você entrar na faculdade e você me levou no meu primeiro dia do curso de Letras.

Fui na sua formatura e você não foi na minha,

fui sozinha.

Nove anos depois, o baque,

dentre anos de traições de sua parte,

ainda assim fui o destaque.

Deixei pra lá, preferí contigo continuar.

Não me arrependi, estávamos certos do que queríamos afinal.

Em 2011, casamos.

Parentes, bolo, festa improvisada damos.

Acompanhei o seu sucesso,

você acompanhou meus fracassos.

Nos grandes eventos fomos,

adotamos gatos,

fizemos gastos.

Três anos depois, o que era doce, azedou.

O amor adolescente murchou,

aos poucos fomos nos distanciando.

E agora, você vai embora,

em prantos, enxugo minhas lágrimas e penso,

“Que bosta, 

e agora?”

MERGULHO

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Mergulho nesse mar de emoções.

Dói tanto pensar,

que tive tudo e nada tive.

Nada,

Nada para não se afogar.

A costa está próxima, não se afunde,

nao morra na praia.

Saia da água e deixa o tempo secar seu corpo,

suas lágrimas,

e suas mágoas.